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Confiança digital exige cultura antifraude e responsabilidade coletiva

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Publicado em: 29/05/2026 09:05
Evento promovido pelo Serpro debateu os impactos do comportamento humano e da inteligência artificial na proteção da confiança digital que sustenta os serviços públicos brasileiros
O Conexão Brasil Antifraude foi transmitido ao vivo pelo canal do Serpro no Youtube. O webinar está disponível na íntegra na plataforma

por Comunicação do Serpro — 28 de maio de 2026

Adigitalização crescente dos serviços públicos ampliou a dependência da sociedade brasileira de ambientes digitais seguros. Em um cenário em que dados pessoais, benefícios sociais e serviços governamentais circulam cada vez mais em plataformas digitais, confiança passou a ser também uma questão de infraestrutura pública.

Esse foi o eixo central do primeiro Conexão Brasil Antifraude, promovido pelo Serpro para discutir como comportamento humano, ética e inteligência artificial passaram a ocupar papel estratégico na proteção da confiança digital do cidadão brasileiro.

“Hoje nós vivemos um cenário em que a confiança digital se tornou um ativo importante. As instituições não competem apenas por eficiência, mas principalmente por credibilidade”, afirmou a superintendente de Proteção de Dados Pessoais e Antifraude Cibernética do Serpro, Débora Sirotheau.

O debate reuniu especialistas em segurança cibernética, experiência do cliente e inteligência artificial para discutir como cibercrimes passaram a explorar cada vez mais vulnerabilidades humanas, e não apenas falhas tecnológicas.

A percepção foi convergente entre os participantes: a sofisticação das fraudes acompanha a evolução das tecnologias emergentes e amplia a responsabilidade das instituições que operam dados críticos do Estado.

O principal alvo ainda é o ser humano

Para a superintendente de Felicidade do Cliente do Serpro, Sheila Antonioli, a proteção contra fraudes depende diretamente da consciência de quem opera informações sensíveis no cotidiano dos serviços digitais. “Não se trata somente de tecnologia. Se trata de comportamento. A experiência do cidadão é percebida pela confiança”, avaliou.

Para Sheila, falhas de segurança impactam diretamente a relação do cidadão com os serviços públicos digitais. “Quando alguém acessa um dado indevidamente, a sensação é de invasão da vida pessoal. A confiança falha”, afirmou durante o painel.

O delegado da Polícia Civil do Piauí e especialista em crimes cibernéticos, Alessandro Barreto, alertou que o principal vetor de ataque continua sendo a ação humana. “O que ainda é muito atacado é aquela parte que fica entre a cadeira e o monitor. É o ser humano”, disse.

Barreto detalha que criminosos utilizam dados expostos nas redes sociais, padrões previsíveis de comportamento e engenharia social para construir ataques personalizados e convincentes. “O criminoso não precisa mais invadir sistemas. Muitas vezes, ele só precisa ganhar confiança”, afirmou.

O especialista também destacou que ferramentas de inteligência artificial ampliaram a capacidade de manipulação digital. “A inteligência artificial é um foguete para o cérebro humano. Hoje, o olho humano já não consegue diferenciar completamente o que é real e o que é falso”, observou.

Proteção digital depende de cultura, não apenas de ferramenta

A advogada e especialista em proteção de dados Ana Rita Bibá destacou que o cenário atual aponta para fraudes cada vez mais sofisticadas, capazes de explorar emoções, padrões cognitivos e relações de confiança. “O futuro da fraude está cada vez mais neurocomportamental e não apenas ligado à invasão de sistemas”, sentenciou.

Ana Rita afirmou que tecnologias de inteligência artificial já interpretam emoções, padrões de fala, expressões faciais e níveis de confiança, criando novos desafios para proteção digital e segurança institucional. “Quando nós confiamos, reduzimos o nosso estado de alerta. E é exatamente isso que os fraudadores tentam produzir”, explicou.

Ao longo do encontro, os especialistas defenderam que tecnologia, isoladamente, não é suficiente para sustentar ambientes digitais seguros. Educação digital, senso crítico, transparência e responsabilidade coletiva passaram a ser vistos como elementos centrais para proteção da confiança nos serviços públicos digitais.

“A vida digital do cidadão brasileiro passa pelo Serpro. E nós somos guardiões da confiança digital do país”, finalizou Débora Sirotheau ao dimensionar o desafio em uma empresa pública responsável por operar parte significativa da infraestrutura digital do país.

Conexão Brasil Antifraude

O webinar marcou a primeira edição do Conexão Brasil Antifraude. Com o tema “A proteção à fraude começa com as pessoas”, o encontro debateu os impactos do comportamento humano na segurança digital, reunindo especialistas em proteção de dados, crimes cibernéticos, experiência do cidadão e inteligência artificial.

A íntegra do painel está disponível no canal oficial do Serpro no YouTube: